
Mesmo que você nunca tenha lido Shakespeare provavelmente já ouviu milhares de frases de suas peças como “ser ou não ser, eis a questão” e “existe algo de podre no reino da Dinamarca”. Creio porém que a tradução de Carlos Alberto Nunes para a edição da Biblioteca Folha da Ediouro tenha pecado em um trecho. Não chega a comprometer a obra, é verdade, mas causa um certo incômodo.
O trecho abaixo é da Cena I Ato I. Romeu, que ainda não encontrou Julieta, está conversando com Benvólio sobre uma outra conquista que não se deixa ceder aos seus pedidos.
ROMEU – Nisso vos enganais. Ela é catita. A seta de Cupido não cogita de bater nela. Sábia como Diana, a castidade é sua soberana. Do arco gentil do amor está amparada e, assim, da lenga-lenga apaixonada. Resistir pode a todos os assaltos dos olhares morteiros, não chegando nunca a cair-lhe no regaço a chuva de ouro que os próprios santos tem vencido. Oh! é rica em beleza, mais que bela, porque a beleza morrerá com ela.
“Lenga-lenga apaixonada”? Tudo bem que as peças eram populares e era uma conversa entre dois rapazes, mas “lenga-lenga apaixonada” não me convence…








“Nuuussaaa”… Até que o Romeu era inteligente, né??
Não há expressão melhor para a grande obra – “literária”, porque do “amor”, faça-me o favor… – Romeu e Julieta do que “lenga-lenga Apaixonada”!!!
Ô livro chato… E sorry para quem gosta, mas eu tenho “licença poética” para dizer isso, rs…Afinal, se quem faz Letras não possuir “licença poética” ao menos para isso… “És o fim, ó Romeu?”