Refricultural
A revista Movie e a epopéia de uma orfã
15 de dezembro de 2009 por Andreia D'Oliveira
Assuntos: Banca e Livraria
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Fui leitora da revista Set durante quase doze anos. Acompanhei, às vezes com entusiasmo e em outras com desgosto, as várias fases da publicação até a sua quase intinção no início desse ano, que confesso: me deixou um tanto aliviada. Ficaria “órfã”, já que não existia outras publicações nesse segmento, mas era melhor vê-la “morrer”, do que manter a sombra do que tinha sido anos atrás.

Sabendo da morte iminente, a revista mudou de ares e hoje é conduzida por outros colaboradores. Achei que essa ganharia um outro fôlego, mas não gostei do que vi – e li. Acabei desistindo e terminando esse longo relacionamento.

Passei então a utilizar a minha ferramenta mais enferrujada: meu inglês macarrônico para ler sites como Collider e EW, mas devo ser uma maldita fetichista: mesmo tendo todas as informações que precisava nesses sites, precisava da coisa física, de ler durante as longas viagens de metrô entre a minha casa e o trabalho, riscar o nome de diretores, atores e atrizes que precisava conhecer melhor. Assim fui ficando, cada dia, um pouquinho menos feliz, estado esse que quase me fez comprar a importada Premiere pela bagatela de R$ 39,90. Achei exagero. Acabei comprando o livro do Marcelo Tas – se é para dar dinheiro para alguém que pelo menos seja brasileiro.

Há dois meses chegou às bancas, e aos meus olhos marejados, a revista Movie e tive uma grata surpresa: possivelmente tinha achado uma mãe substituta. A primeira capa toda branca, clean mesmo, apenas com a foto de Brad Pitt e com o nome da publicação em laranja, me ganhou já no visual. Quando abri descobri que o texto era excelente e, desde esse primeiro encontro segui comprando a segunda edição (com uma das capas temáticas mais bonitas que já vi, do filme Avatar) e ontem comprei seu terceiro número.

A edição vem com Robert Downey Jr. na capa e com o empolgante texto de apresentação de André Forastieri sobre o filme Sherlock Holmes, comentando a literatura do escritor e roteirista Michael Chabon. Mas, alguma coisa deixou um gosto amargo em minha boca dessa vez. Infelizmente o mesmo André Forastieri na crítica de “Massacre no Bairro Chinês” escreve “Muitas histórias de gângsters – as melhores? – são histórias de imigrantes, seja de sicilianos em Nova York, cubanos em Miami ou nordestinos no Rio de Janeiro”. Escolha infeliz de exemplo…

Imagino que esse texto tenha menos de preconceito e mais de aproximação. Eu explico: presumo que o o autor quis traçar um paralelo com as produções internacionais e brasileiras, mas chamar os nordestinos de imigrantes e, no parágrafo seguinte começar por “Gangues formadas por estrangeiros…” só ressaltam o erro na escolha do exemplo. Além desse texto, parece que o revisor também andou dormindo né. São lidas durante a publicação frases como  “Crise dos 13 aos é o mote do segundo filme de Os normais” ao invés de “Crise dos 13 anos é o mote do segundo filme de Os normais” (na sessão “Home”) ou “…em Lionel as menas reações…” ao invés de “…em Lionel as mesmas reações…”(artigo “Anti-Herói”) – desculpe-me, sou aluna da faculdade de letras não tem como evitar…

O saldo para a revista Movie é positivo – diria que MUITO POSITIVO. Eu gosto muito da revista, e sabemos que coisas como essas acontecem, porém principalmente quanto ao possível juízo de valor dado na crítica a “Massacre no bairro chinês” é necessário um maior apuro.

Para saber mais: